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Atlas Nacionais

O Brasil conta hoje com uma diversidade de atlas linguísticos regionais publicados, apresentados abaixo em ordem de publicação. A realização desses atlas se deu, inicialmente, como conseqüência das dificuldades para elaboração de um atlas nacional em um país de extensão territorial tão grande como o nosso.

O mapeamento regional do país foi apontado pelos primeiros dialectólogos brasileiros como uma alternativa e uma etapa necessária para a execução do objetivo maior: um atlas lingüístico de todo o Brasil.

A experiência resultante desses atlas tem sido imprescindível para a execução do Projeto ALiB, valendo ressaltar, hoje, a consciência dos pesquisadores brasileiros de que a elaboração do atlas nacional não invalida a realização de outros atlas regionais, uma vez que o primeiro visa a uma descrição geral da situação lingüística do Brasil e os últimos permitem uma investigação de aspectos mais específicos de cada área/região.

Clique no título do atlas para ler um resumo sobre o mesmo, além de ter acesso a sua referência bibliográfica.

Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB) - 1963

Elaborado entre os anos 1960-62, sob coordenação do professor Nelson Rossi, e financiado totalmente pela Universidade Federal da Bahia, o APFB foi o primeiro atlas lingüístico brasileiro.

Obra pioneira, contou com uma rede de pontos de 50 localidades, distribuídas pelas 16 zonas fisiofráficas do Estado, e com um extrato questionário de 182 perguntas, selecionadas com base em uma versão de questionário mais ampla com 3.000 questões, divididas nas áreas semânticas TERRA, VEGETAIS, HOMEM, ANIMAIS.

O atlas teve um total de 100 informantes, 57 mulheres e 43 homens, com idade variando entre 25 e 60 anos. Com relação à escolaridade, todos eram analfabetos ou semi-analfabetos.

O APFB apresenta como inovação em trabalhos dessa natureza a aplicação de um teste de reconhecimento ou teste de identificação: após a aplicação do inquérito, indaga-se ao informante sobre o conhecimento de determinadas expressões, obtidas numa sondagem inicial, mas não documentadas na entrevista.

O objeto desse atlas é o mapeamento da área baiana dos falares baianos, que compreende, segundo a classificação de Antenor Nascentes, os Estados da Bahia, Sergipe, norte de Minas, leste de Goiás e do atual Tocantins.

COLABORADORES: Dinah Maria Isensée; Carlota Ferreira; Josephina Barletta; Judith Freitas; Cyva Leite; Tânia Pedrosa.

Referência: ROSSI, Nelson; ISENSÉE, Dinah Maria; FERREIRA, Carlota. Atlas Prévio dos Falares Baianos. Rio de Janeiro: INL, 1963.

Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG) - 1977

Tendo como autores os professores Mário Roberto Lobuglio Zágari, José Ribeiro, José Passio e Antônio Gaio, o EALMG teve seu primeiro volume publicado em 1977, sendo o segundo atlas lingüístico elaborado no Brasil.

Contando com uma rede de 184 localidades e informantes analfabetos e de nível superior, o EALMG concilia métodos tradicionais da pesquisa geolingüística com outros modernos, oriundos da sociolingüística norte-americana, não se restringindo, assim, mais ao informante do tipo "HARAS" (homem, adulto, rurícola, analfabeto e sedentário), mas abrindo a possibilidade de análise de outros níveis de variação lingüística.Os resultados do atlas apontam para a confirmação da existência de três falares distintos no território mineiro: o falarbaiano ao norte, o falar paulista no sul-sudeste e o falar mineiro no centro-leste.

COLABORADORES: Cláudia Coutinho; Edimilson Pereira; José Dionísio Ladeira; Núbia Magalhães Gomes.

Referência: ZÁGARI, Roberto L. et al._Esboço de um atlas lingüístico de Minas Gerais_. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1977.

Atlas Linguístico da Paraíba (ALPB) - 1984

Terceiro atlas regional publicado no Brasil, o ALPB faz parte de um projeto mais amplo do Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, a saber: o "Levantamento Paradigmo-Sintagmático do Léxico Paraibano".Coordenado pela Professora Maria do Socorro Silva de Aragão, e realizado conjuntamente com a professora Cleuza Bezerra de Menezes, o ALPB contou com uma exaustiva etapa de preparação de sua equipe de pesquisadores e com um intenso trabalho de levantamento bibliográfico relativo à Dialectologia e Geolingüística, no Nordeste, no Brasil e no exterior. Sua rede de localidades teve 25 municípios como bases, mais 3 municípios satélites por base, que serviram para controle e convalidação dos dados obtidos, mas que não aparecem individualizados nas cartas.

O questionário aplicado, fruto do aperfeiçoamento de três outras versões, compunha-se de duas partes: uma geral com 289 questões e uma específica com 588. A parte geral compreendia os campos semânticos A TERRA, O HOMEM, A FAMÍLIA, HABITAÇÃO E UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS, AVES E ANIMAIS, PLANTAÇÃO, ATIVIDADES SOCIAIS. A específica se referia aos cinco principais produtos agrícolas do Estado: mandioca, cana-de-açúcar, agave, algodão e abacaxi.

Referência: ARAGÃO, Maria do Socorro Silva de.; BEZERRA DE MENEZES, Cleusa P. Atlas Lingüístico da Paraíba. Brasília: UFPB/CNPq, Coordenação Editorial, 1984; v. 1, 2.

Atlas Linguístico de Sergipe (ALS I) - 1987

O ALS, coordenado pelo professor Nelson Rossi, constitui-se um passo a mais no mapeamento lingüístico da área dos falares baianos pela equipe de Dialectologia do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, iniciado com a elaboração do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB - 1963), que abrangia a área do Estado da Bahia. Iniciado em 1963, concluído em 1973 e publicado apenas em 1987, o ALS foi o quarto atlas lingüístico brasileiro.Em Sergipe foi possível aperfeiçoar os instrumentos metodológicos utilizados na Bahia. Dessa forma, o questionário definitivo do ALS, resultado de uma seleção de duas versões preliminares testadas, teve um total de 686 questões: 181 retiradas do Extrato de Questionário aplicado para o APFB e 505 selecionados dos questionários preliminares.

As questões recobriam as mesmas áreas semânticas do APFB: TERRA, VEGETAIS, HOMEM e ANIMAIS. Também em conformidade com a metodologia do APFB, foi aplicado um "teste de identificação" referente tanto a formas obtidas no APFB quanto a outras identificadas preliminarmente na área do inquérito.A rede de pontos contou com um total de quinze localidades, distribuídas por cinco zonas fisiográficas do Estado. Das quinze localidades, 7 coincidem com pontos da proposta de Nascentes.

Os informantes, dois de cada localidade, pertencem a ambos os sexos, têm escolaridade variando entre analfabetos (21) e alfabetizados (1), passando por "semi-analfabetos" (8) e idade variando predominantemente entre 35 e 53 anos.AUTORES: Nelson Rossi; Carlota Ferreira; Judith Freitas; Nadja Andrade; Suzana Cardoso; Vera Rollemberg; Jacyra Mota.

Referência: FERREIRA, Carlota et al. Atlas Lingüístico de Sergipe. Salvador: UFBA - Instituto de Letras/Fundação Estadual de Cultura de Sergipe, 1987.

Atlas Linguístico do Paraná (ALPR) - 1990

Quinto atlas lingüístico do país, o ALPR foi levado a efeito como Tese de Doutoramento da Professora Vanderci de Andrade Aguilera, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), apresentada em novembro de 1990.Tal atlas apresenta como objetivo, além da documentação cartográfica da variação lexical e da variação fonética e a delimitação de isoglossas, a organização de um glossário, no qual se registra "todo vocabulário cuja forma e/ou sentido" não pertence "ao vocabulário ativo de um falante da norma padrão urbana". O questionário aplicado foi, basicamente, o mesmo do Projeto da Atlas Lingüístico do Estado de São Paulo (ALESP), contendo 325 questões e abrangendo os campos semânticos de TERRA e HOMEM, subdivididos em:TERRA: (a) natureza, fenômenos atmosféricos, astros, tempo; (b) flora; (c) plantas medicinais; (d) fauna;

HOMEM: (a) partes do corpo, funções, doenças; (b) vestuário e calçados; (c) agricultura, instrumentos agrícolas; (d) brinquedos, jogos infantis; (e) lendas e superstições. A seleção das localidades para a rede de pontos partiu, inicialmente, da proposta de Nascentes para o atlas nacional, que continha 24 pontos para o Estado do Paraná. A tais localidades foram acrescentadas outras 41, totalizando 65 localidades, que contemplavam todas as 24 microrregiões fisiográficas paranaenses.Os informantes têm entre 27 e 62 anos, tendo sua escolaridade variando entre analfabetos e de primário completo.

COLABORADORES: Ivone Alves de Lima; Rita de Cássia Paulino; Elaine Cristina Fabris.

Referência: AGUILERA, Vanderci de Andrade. Atlas Lingüístico do Paraná. Curitiba: Imprensa Oficial do Estado, 1994.

Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS) - 2002

Sexto atlas brasileiro, o ALERS inova por ser o primeiro a não se limitar ao mapeamento de um Estado. Coordenado pelo Professor Walter Koch, este atlas abrange aspectos tanto lingüísticos quanto culturais referentes aos três Estados da região Sul do país.Sua rede de pontos conta com 294 localidades, sendo 106 no Paraná, 86 em Santa Catarina e 102 no Rio Grande do Sul. A exemplo do ALiB? , o ALERS conta com três tipos de questionários, com um total de 711 questões:- 26 questões no Questionário Fonético-fonológico (QFF), além de outras 24 questões para as áreas de colonização não-lusa; - 75 no Questionário Morfossintático (QMS) e - 610 no Questionário Semântico-lexical. Os informantes têm idade entre 28 e 58 anos e pouca escolaridade, sendo 2 por localidade nas áreas rurais e 3 nas áreas urbanas.

Duas outras inovações do ALERS estão na utilização de um programa de cartografia digital e a apresentação de um glossário dos termos levantados no QSL, em anexo. COLABORADORES: José Luiz da Veiga Mercer; Basilio Agostini; Hilda Gomes Vieria; Felício Wessling Marjotti; Mário Silfredo Klassmann; Cléo Vilson Altenhofen.

Referência: KOCH, Walter; Klassmann, Mário Silfredo; ALTENHOFEN, Cléo._Atlas Lingüístico-etnográfico da Região Sul do Brasil_. Porto Alegre/Florianópolis/Curitiba: Ed. UFRGS/Ed. UFSC/ Ed. UFPR, 2002. v. 1, v. 2.

Atlas Linguístico Sonoro do Pará (ALISPA) - 2004

O ALISPA (Atlas Lingüístico Sonoro do Pará), coordenado pelo Prof. Dr. Abdelhak Razky é um projeto intregado ao ALIPA. Este projeto abrange as dez cidades correspondente à pesquisa urbana do ALIPA. A coleta de dados foi feita através de um questionário (de natureza fonético – fonológico) de 159 perguntas aplicado a 4 informantes por cidade, estratificados por sexo, idade e escolaridade até a 4ª série. O projeto ALISPA já foi concluído e está atualmente publicado em CD- ROM.

Referência: RAZKY, Abdelhak. (Org.) Atlas lingüístico sonoro do Pará. Belém: PA/CAPES/UTM, 2004. CDRoom.

Atlas Linguístico de Sergipe II (ALS II) - 2005

Último atlas regional publicado no Brasil, O ALS-II foi desenvolvido como tese de doutoramento da Professora Suzana Alice Marcelino Cardoso, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2002, e é o segundo volume do Atlas Lingüístico de Sergipe (ALS), no qual se utiliza o corpus não explorado no primeiro volume. Centrado na área semântica HOMEM, o ALS-II busca explorar, também, outras variáveis lingüísticas nao contempladas no ALS-I, como a diagenérica.Constitui-se de um conjunto de 108 cartas, 105 das quais são semântico-lexicais e 3 introdutórias. A rede de pontos constitui-se de 15 localidades, distribuídas por todas as microrregiões homogênas do estado, contando, cada ponto, com dois informantes, identificados com A-mulheres e B-homens e escolhidos conforme os critérios configurados como básicos para os estudos dialetais — nascidos na cidade objeto de estudo, filhos, preferentemente, de pais da mesma localidade, não-alfabetizados ou semi-alfabetizados, com afastamento nulo ou por pouco tempo do ponto de residência.

O ALS-II também apresenta comentários às cartas, segundo uma perpectiva sócio-antropológico-lingüística, sobre aspectos salientados pelas informações cartografadas, o que permite classificar esse volume segundo do Atlas Lingüístico de Sergipe entre aqueles chamados atlas de segunda geração, ou seja, aqueles que não só apresentam os dados, mas intentam, já, uma interpretação.

Referência: CARDOSO, Suzana Alice Marcelino da Silva._Atlas Lingüístico de Sergipe II_. Rio de Janeiro: S. A. M. da S. Cardoso, 2002. 2 v.

Atlas Linguístico de Mato Grosso do SUL (ALMS) - 2007

Foi organizado por Dercir Pedro de Oliveira. A rede de pontos está constituída por 32 localidades. É composto de cartas fonéticas, semântico-lexicais e mofossintáticas.

Referência: OLIVEIRA, Dercir. Pedro de (Org.) ._ALMS - Atlas Lingüístico de Mato Grosso do Sul._1. ed. Campo Grande: Editora UFMS, 2007. 271 p.

Atlas Linguístico do Estado do Ceará (ALECE) - 2010

O ALECE começa a sua história em 1978, atravessa 3 décadas e vem a ser publicado em 2010. O tempo que vai da concepção de um atlas até a sua publicação não deve causar admiração, pois a história dos estudos dialetais está repleta de exemplos dessa natureza, o que apenas prova as dificuldades por que passa a Dialectologia para alcançar os seus objetivos. Mas o importante é que os atinge.

Constitui-se o ALECE de dois volumes, e trata-se de uma obra coordenada, na sua origem, por Alexandre F.Caskey, José Carlos Gonçalves, Mário Roberto Lobuglio Zágari e por José Rogério Fontenele Bessa que é o coordenador geral e coordenador da publicação. O primeiro volume, Introdução, trata dos antecedentes históricos, da orientação teórica e da metodologia seguida. O segundo volume, Cartogramas, traz as cartas lexicais e um glossário, a que se seguem a bibliografia geral e as fontes lexicográficas consultadas.

Os cartogramas, em número de 256, contemplam dados lexicais e fonéticos e mapeiam os resultados da pesquisa efetuada em 70 localidades e com dados recolhidos a quatro informantes por ponto da rede, observando-se, na composição, igual número de homens e mulheres que se distribuem, equitativamente, entre analfabetos e pessoas com o 1º grau completo, com idade entre 30 e 60 anos.

Referência: BESSA, José Rogério Fontenele (coordenador). Atlas Linguístico do Ceará. V. I – Introdução, Vol.II – Cartogramas. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza: Edições UFC, 2010.

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