Aspectos gerais
Apresentação dos dados lingüísticos - Do ponto de vista da apresentação de dados lingüísticos pretende o ALiB inserir-se entre os atlas mais modernos, fornecendo, como os chamados atlas de 2a. geração, além das cartas lingüísticas propriamente ditas, estudos interpretativos sobre alguns dos aspectos cartografados.
E, seguindo a tendência contemporânea, acrescentar aos dados cartografados informações de natureza acústica que permitam o acesso direto à voz do próprio informante, em sincronização com a indicação do ponto onde ele se situa, ou exibição, via Internet, de cartas e localização de pontos de inquérito e respectivas ocorrências registradas, como nos denominados atlas de terceira geração.
Aspectos metodológicos - Com tal concepção, buscou-se o caminho de uma metodologia que permitisse alcançar o alvo colimado, para o conhecimento da qual se destacam: a rede de pontos, o perfil dos informantes, os questionários lingüísticos e a realização de inquéritos lingüísticos experimentais.
Rede de pontos - Para recobrir todo o país estabeleceu-se uma rede constituída de 250 localidades, distribuídas por todo o território nacional, levando-se em consideração a extensão de cada região, os aspectos demográficos, culturais, históricos e a natureza do processo de povoamento da área.
Diferente do que tem sido feito tradicionalmente em trabalhos de natureza dialetal, não se consideram prioritários critérios como antigüidade e grau de isolamento com relação a centros mais desenvolvidos na região, incluindo-se, assim, cidades de grande e médio porte e, inclusive, todas as capitais, à exceção apenas de Brasília (Distrito Federal) - em vista da data de sua criação - e Palmas, capital do recém-criado Estado de Tocantins, cidade ainda em formação, sem habitantes nela nascidos.
Foram, ainda, consideradas questões referentes aos limites internos e internacionais e analisados os pontos sugeridos por Antenor Nascentes em Bases para a elaboração do Atlas Lingüístico do Brasil (Rio de Janeiro: MEC, Casa de Rui Barbosa, v. I, 1958), os quais, reconhecida a pertinência, foram mantidos.
Informantes - O perfil dos informantes procura atender a questões espaciais, por isso são filhos da localidade pesquisada e de pais também da área, mas também inclui o controle de variáveis sociais tais como idade, sexo e escolaridade. O número total atinge a casa dos 1100 informantes, distribuídos eqüitativamente por duas faixas etárias - 18 a 30 anos e 50 a 65 anos - e contemplando os dois sexos.
Nas capitais de Estado são acrescentados mais quatro informantes de nível universitário, observadas as mesmas correlações de sexo e faixa etária. Quanto à escolaridade, devem ser alfabetizados, tendo cursado, no máximo, até a quarta série do ensino fundamental, salvo o que já se disse de referência às capitais, e possuidores de uma profissão definida, que não requeira grande mobilidade e que se encontre inserida no contexto social local.
Na impossibilidade de se documentarem três diferentes faixas etárias, o que acarretaria um aumento de custos, optou-se pelo registro de informantes de faixas mais distanciadas. Tal opção procura atender às possibilidades de melhor confronto entre usos por diferentes faixas etárias e, também, propiciar a análise da variação e da mudança lingüísticas.
Como se vê desse breve perfil, há o interesse de buscarem-se as relações língua-fatores sociais como forma de responder-se a questões geolingüísticas da realidade atual.
Questionário - De referência ao questionário lingüístico
ver Questionários , deliberou-se pela aplicação de três tipos de questionário direcionados, especificamente, cada um deles, para os aspectos: (a) fonético-fonológico - 159 perguntas, às quais se juntam 11 questões de prosódia; (b) semântico-lexical - 202 perguntas; e (c) morfossintático - 49 perguntas.
A esses três tipos de questionários, acrescentam-se: questões de pragmática (04), temas para discursos semidirigidos - relato pessoal, comentário, descrição e relato não pessoal -, perguntas de metalingüística (06) e um texto para leitura - a "Parábola dos sete vimes".
Dos questionários, publicou-se uma primeira versão, em 1998, a fim de atender a solicitações de pesquisadores interessados em conhecer e testar esse instrumento da metodologia do ALiB e propiciar as aplicações de caráter experimental previstas e realizadas em diferentes pontos do país. A partir do que revelaram esses inquéritos procedeu-se a uma análise crítica e à reformulação dos questionários com vistas à elaboração da versão final a ser aplicada em todo o território nacional. Essa versão foi recentemente (2001) publicada pela Universidade Estadual de Londrina, em 2001.