Relatório da Primeira Visita

Relatório do registro Fotográfico da Escola Dorilândia

A princípio para realizar este trabalho colocamos como sugestão visitarmos o Colégio Batista Brasileiro, que fica localizada no bairro do Itaigara, pois procurávamos uma escola que pelo menos tivéssemos “alguém” que nos possibilitasse ter um acesso sem barreiras por causa da questão das fotografias. Temíamos em não conseguir registrar as fotos, devido várias escolas não permitir tais trabalhos, alegando estar expondo a imagem da criança. Porém esta foi apenas à primeira escola que nos veio à mente, depois tivemos a possibilidade de visitar a Escola Via Magia localizada no bairro da Federação, e o que temíamos anteriormente terminou acontecendo. Uma vez que a coordenação da escola a princípio não permitia registros fotográficos de pessoas de fora da escola, e só iria abrir essa exceção conosco, devido uma das componentes da equipe (Izabela) ser mãe de uma aluna que estuda na Via Magia. Todavia, ouve algumas restrições: a primeira seria que somente 1 (um) componente da equipe poderia visitar a escola, segundo que só poderíamos fazer a visita a partir de um horário determinado pela escola, neste caso seria as 16:00. Foi neste ponto que começamos a ter “problemas” pois nos tínhamos programado em fazer o trabalho no período da tarde, mais não tão tarde! Pois cada uma não poderia estar lá naquele horário, é evidente que nós não poderíamos nos queixar devido ao horário, pois teríamos que estar flexível a escola. Devido a essas situações decidíamos ir lá (todas da equipe) para tentar conversar novamente com a coordenação no período da manhã. Não conseguimos falar pessoalmente, a Izabela telefonou para uma das coordenadoras e a mesma depois de tanto Izabela insistir permitiu que fossemos as quatro (e só estaria abrindo essa possibilidade, devido Izabela ser mãe de uma aluna que estuda na escola), más o horário teria que ser o já mantido. Outro ponto que nos deixou receosa é que a coordenação expôs que queria acompanhar nosso trabalho (isto inclui: fotos, relatório, entrevistas, etc..), pois segundo a mesma já houve trabalhos realizado na escola em que as equipes fizeram relatórios que não condiziam com a realidade da escola. Confesso que estes fatos nos deixaram receosas, pois de uma certa forma estaria limitando nosso trabalho, a coordenadora sabia e sabe que o trabalho realizado seria para uma Disciplina de Didática do curso de Pedagogia, e enquanto estudantes teríamos nosso visão critica a relatar. Enfim, devido a tantas restrições, neste mesmo dia, ao sairmos da Escola Via Magia, sem nenhum sucesso, decidimos tentar fazer um contato com a Escola Dorilandia para tentarmos realizar o trabalho nesta escola, e conseguimos fazer o trabalho sem nenhuma restrição. É evidente que dessa vez também tínhamos uma pessoa que possibilitou tal abertura que é a Thalita, que esta estagiando nesta escola. Todavia a receptividade que encontramos nesta escola foi totalmente contraria da outra. Levamos o Oficio, o roteiro do que iríamos realizar naquele trabalho e a coordenadora nos deixou totalmente à vontade para fazermos o que quiséssemos. Nesta escola tivemos acesso a toda a estrutura da escola, e podemos registrar tudo que queríamos. Portanto nosso inicio de trabalho foi realizado na Escola Dorilandia, localizada em Ondina. Esta Escola é uma instituição particular que atende alunos da educação infantil ao fundamental. A primeira parte do trabalho (a visita e o registro fotográfico) foi realizada no dia 12/04/2006, no turno vespertino. As fotos foram registradas por Joseilda (Sule), com o auxilio das ouras componentes. Na escola tivemos acesso a tudo e a todos! A primeira cena que presenciamos foi à realização de uma ceia pascal realizada pelos alunos da quarta série, e que tivemos a possibilidade de registrar. Depois fomos de sala em sala, registrando todos os detalhes da escola.

Impressões das alunas:

Daniela Gomes Quando se trabalha na rede pública de ensino e encontra escolas privadas como essa percebemos como é distante a realidade que separa esses dois mundos. Na Dorilandia tudo é pensado para a criança e com a criança. Em todo o espaço existe o cuidado e a preocupação com o aprendizado. Pela escola os trabalhos de todos os níveis de ensino (da educação infantil ao ensino fundamental) estão expostos e percebe-se que é feito todo um trabalho voltado para favorecer esse trabalho "artístico" da criança. As sinalizações (banheiro, lixo, entrada, saída) são feitas pelos próprios alunos. Os que mais me chamou a atenção foram às salas de educação infantil onde estão repletas de brinquedos e são espaços voltados para que a criança se sinta mesmo em casa. Nas salas do ensino fundamental é perceptível que o método tradicional se faz presente através das tabuadas, das letras, cirandas nas paredes fazendo referência à famosa memorização. Vi também jogos onde se classificava 1, 2 e 3 ganhadores e me questionei se seria usado como "disputa" entre os alunos para verificação de quem sabia mais determinado assunto. No mais, mesmo ciente da clientela da escola fiquei reflexiva sobre a questão racial nesse ambiente. Como trabalhar as diferenças e os direitos de igualdade se dentro da realidade da própria escola as pessoas que estão em funções menores são negras?? Bom, essa é uma questão que talvez possa ser respondida nas próximas visitas...

Izabela Teixeira A princípio a Escola Dorilândia transparece que utiliza uma proposta Pedagógica construtivista, porém o que pude observar é que tem muito da Pedagogia Tradicional, a organização das salas de aula é um ponto, outro aspecto são as tabuadas e o alfabeto nas paredes. Achei muito interessante a valorização que a escola dá às artes plásticas, eles exploram bastante esta veia artística nas crianças, este foi um ponto que muito me chamou atenção, uma outra característica foi à acentuação do lúdico permitindo as crianças às brincadeiras de faz de conta e imitando o mundo adulto, como se pode observar com a utilização de recursos tecnológicos, como o telefone, o teclado, os carrinhos, etc. Estas foram as minhas impressões tendo como base o espaço físico, os pontos pedagógicos de conteúdo, planejamento, ensino-aprendizagem serão observados na visita posterior.

Joseilda Sampaio (Sule) A primeira impressão que temos ao entrar na Escola Dorilândia é que entramos no imenso mundo infantil, pois a escola é cercada de brinquedos, de coloridos, de possibilidades para a criança estar trabalhando com o lúdico, com a imaginação. Nas salas da Educação Infantil há muitos brinquedos (tanto para meninos quanto para meninas), muita possibilidade da criança estimular sua criatividade, etc... Toda sinalização da escola é produzida pelos próprios alunos, ressaltando o quanto é importante não descartar os trabalhos realizados pelos alunos.Contudo, posso confessar que a sensação que tive foi uma angustia muito grande. Sabia que poderia encontrar ali, estava voltado para uma classe seleta de nossa sociedade, é justamente isso que me inquietou: primeiro por saber que aquela realidade é para “poucos”, segundo por estar nítida a segregação racial que encontramos na nossa sociedade, em que os “ricos” ou os que podem pagar boas escolas são em grande parte de “brancos”. No dia que fizemos a visita, não encontrei nenhuma criança negra. Thalita disse que tem uns três ou quatro alunos, por outro lado as ajudantes, as serventes são negras, enquanto que as professoras também não vi nenhuma negra. Isto nos leva a reflexões e questionamentos... Outro ponto que me impressionou foi a tentativa por parte da escola de aproximar os alunos a questão da “tecnologia”, pois a escola possui um laboratório de informática equipado, e o que mais chamou minha atenção nesse contexto das tecnologias foi a “radio canguru”, que possibilita que os alunos da quarta série possam de uma certa forma produzir seu programa de radio, na medida que eles durante o intervalo escolhem as músicas a serem tocadas, etc... Enfim, é evidente que ainda temos muito a explorar desta escola, e para tal iremos estar realizando futuras visitas com um ponto mais especifico para investigação.

Thalita Chagas Como ex-aluna da escola (estudei lá dos dois aos quatro anos) e atual estagiária da escola no acompanhamento de um aluno surdo da segunda série, não tive grandes surpresas como as outras integrantes da equipe. Porém o que atualmente mais tem chamado a minha atenção na escola é o fato de a coordenação estar buscando de diversas formas fazer uma inclusão eficaz. Eles já tiveram uma aluna surda há anos atrás, outra com deficiência motora e atualmente possuem um aluno com síndrome de Down e outro surdo, é com este especificamente que eu trabalho. Posso destacar, assim como Sule a questão elitista, pois desde o primeiro dia que voltei à esta escola percebi uma diferenciação que começa da cor da pele da maioria dos alunos, passa pela forma de vestir, dos materiais pessoais de cada um até o comportamento e educação destes. Outro aspecto que posso ressaltar por estar presente diariamente na escola e que infelizmente as colegas não puderam presenciar é a interação entre os professores, que sentam juntos à mesa para almoçar todos os dias e o fato da coordenação e orientação pedagógica estarem trabalhando numa sala em comum fazendo com que haja uma concordância entre as decisões tomadas e que não exista competição entre eles. A demais as outras integrantes da equipe já relataram.

-- JoseildaSampaioDeSouza - 24 Apr 2006

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